Neste artigo
Fala, minhas almas insanas.
Venho com mais um texto conduzindo horror cósmico e insanidade, e desta vez não estou falando de Chamado de Cthulhu. Estou falando de uma nova produção, que mergulha fundo nas fontes insanas lovecraftianas, mas com identidade própria, visceral e ousada. Um RPG 100% brasileiro, com um nível de capricho e profissionalismo que encara de frente muito título gringo por aí.
Hoje é dia de falar de Melted Lands, da editora 100% brasileira (essa sim uma baita seleção) Anatopia.
UM MUNDO ENGOLIDO PELO NEVOEIRO

Antes de qualquer regra, antes de qualquer personagem… existe o colapso.
Prédios inteiros derreteram como cera, escorrendo pelas ruas como se a própria realidade tivesse perdido sua forma. Estruturas sólidas se tornaram massas disformes, ruas desapareceram sob camadas de matéria irreconhecível, e o céu…. bom, o céu nunca mais foi o mesmo.
Foi aí que o Nevoeiro chegou.
Melted Lands não é só mais um cenário sombrio. Aqui, tudo gira em torno do Nevoeiro, um fenômeno que não apenas transformou o mundo, mas também distorceu a própria realidade, o entendimento humano e o que significa sobreviver.
Ele não é apenas um evento. Ele observa. Ele sussurra. Ele muda.
Há relatos de pessoas que caminharam por ela e voltaram… diferentes. Outras nunca voltaram. Algumas dizem que ouviram vozes chamando seus nomes. Outras juram que viram coisas que não deveriam existir, formas que não obedecem à lógica, presenças que parecem perceber você antes mesmo de você percebê-las.
Sem dar spoilers: o Nevoeiro não é só cenário, ele é presença constante. Ele molda decisões, cria tensão e transforma qualquer caminhada em um risco existencial.
E é nesse mundo que você constrói seu personagem com base em conceitos que vão além de números:
- Ethos: basicamente, define a origem cultural e física do personagem, o jeito que enxerga o mundo, sua moral, seus valores, o que o guia quando tudo desmorona.
- Classes: aqui não são só arquétipos de combate, mas funções dentro de uma sociedade em colapso.
- Crença e Fé: fundamentais. Em um mundo sem respostas, acreditar em algo pode ser o que mantém alguém de pé… ou o que leva à ruína.
- Relações Pessoais e Propósito: você não existe sozinho. E sobreviver, muitas vezes, depende mais de quem está ao seu lado do que da sua arma.
- Antecedentes: quem você era antes do Nevoeiro importa, e muito.
E claro: equipamentos. Aqui você não começa com um arsenal heroico. Você compra o que pode com o dinheiro que tem, e isso faz toda a diferença. Porque nesse mundo, recursos são tudo.
HORROR, INSANIDADE E O TOQUE LOVECRAFTIANO

Se você curte o horror cósmico, vai se sentir em casa, ou talvez desconfortavelmente fora dela.
Melted Lands bebe diretamente da fonte de Lovecraft, mas não copia, ele interpreta. Aqui, o desconhecido não é apenas uma ameaça distante: ele caminha ao lado do protagonista, como um galã silencioso, sempre presente, sempre observando. O Nevoeiro é uma companhia constante, uma entidade que envolve, sussurra e distorce tudo ao redor.
A insanidade aqui não é um “efeito colateral”, é parte central da experiência. É o preço de encarar aquilo que não pode ser compreendido. Cada passo dentro desse mundo é um confronto com o inexplicável, onde o ambiente e a própria existência parecem conspirar contra qualquer tentativa de lógica.
Os elementos de lugar e sobrevivência se entrelaçam de forma angustiante. Você não apenas explora, você resiste. Resiste ao medo, à dúvida, à sensação de que algo está sempre errado, mesmo quando tudo parece quieto. E essa tensão constante te força, como jogador, a pensar com cuidado cada decisão do seu personagem.
Porque aqui, agir sem refletir não é coragem, é sentença.
Os personagens não enfrentam apenas criaturas inexplicáveis, enfrentam a própria fragilidade mental. E isso é um dos maiores acertos do jogo.
ESCASSEZ, SOBREVIVÊNCIA E ESCOLHAS DIFÍCEIS

Uma das coisas mais fascinantes,e cruéis, desse cenário é a escassez.
Como jogador, você sente isso na pele. Como mestre, você vê isso nos olhos da mesa.
O mundo não apenas mudou… ele foi esvaziado. E o que restou ganhou novos significados.
Aquilo que antes era lixo… agora pode ser:
- uma arma improvisada, moldada pelo desespero
- um acessório essencial, carregado como um talismã de sobrevivência
- ou até comida, um milagre silencioso em meio à ruína
Nada é descartável. Tudo carrega peso. Tudo carrega uma história.
E é aí que o jogo se transforma.
Cada decisão deixa de ser mecânica e passa a ser emocional. Cada recurso não é apenas um número, é uma chance de continuar respirando. Cada erro não é só uma falha… é uma possível despedida.
Como mestre, você não narra apenas eventos, você constrói tensão.
Como jogador, você não faz escolhas, você negocia com o inevitável.
NEM HERÓIS, NEM ESCOLHIDOS: APENAS SOBREVIVENTES
Melted Lands não te oferece glória. Ele te oferece realidade.
Aqui, você não é um herói destinado a salvar o mundo.
Você é alguém tentando não desaparecer dentro dele.
O sistema não te empurra para o combate, ele te faz questioná-lo dentro da estratégia do jogo.
Lutar existe, sim. Mas nunca é simples. Nunca é limpo.
Porque, muitas vezes, a verdadeira batalha acontece antes da lâmina ser erguida, antes do tiro ter sido dado.
O jogo convida que você explore:
- diplomacia, onde palavras podem ser mais afiadas que armas
- política, onde alianças são frágeis e interesses colidem
- negociação, onde cada acordo carrega um preço invisível
- relações humanas sob pressão, onde confiança é rara e traição, comum
Como mestre, você observa as tensões crescerem.
Como jogador, você sente o peso de cada vínculo.
Porque, no fim das contas, o perigo não habita apenas o Nevoeiro…
Ele respira, fala, negocia e às vezes senta ao seu lado.
E aqui é outra baita sacada de Melted Lands: ao transformar o RPG em algo mais do que um jogo em uma experiência humana, crua e profundamente vivida. E diante de um mundo colapsado.
E QUE DADOS A GENTE JOGA?

Melted Lands usa dados de seis lados (d6) como base para resolver ações. Sempre que seu personagem tenta algo, você monta um conjunto de dados (pool) somando Atributo + Perícia + modificadores.
Esse total define quantos dados você vai rolar.
A leitura é simples e direta: cada dado que cair em 5 ou 6 conta como um sucesso.
E é a quantidade de sucessos que define o resultado da ação, quanto mais sucessos, melhor você se sai.
Mas aqui entra o peso do sistema.
Se nenhum sucesso aparecer, a ação falha. E a falha em Melted Lands nunca é só “não deu certo”. Ela traz consequência, complica a cena, coloca você em risco.
Você não está apenas tentando fazer algo dar certo… Você está tentando evitar que tudo dê errado.
ARTE, IDENTIDADE E UM PROCESSO 100% HUMANO

Outro ponto que merece destaque, e talvez um dos mais impressionantes, é a direção artística e o processo criativo por trás de Melted Lands.
Toda a produção é feita por talento humano, sem uso de IA na criação autoral. Em um cenário onde muitos projetos buscam atalhos (e tá tudo bem!), a editora escolheu o caminho mais difícil, e isso devemos admitir: gera autenticidade.
Melted Lands foi desenvolvido ao longo de anos de dedicação por uma equipe apaixonada, liderada por seus criadores, que investiram tempo, estudo e refinamento contínuo para entregar algo verdadeiramente único. Cada elemento do jogo passou por um processo cuidadoso de construção, revisão e evolução, resultando em uma obra que carrega intenção em cada detalhe.
E isso se reflete no conjunto da obra: sistema, narrativa, ambientação e arte funcionando como uma experiência única, coesa e profundamente imersiva, algo que só é possível quando existe visão, dedicação e respeito pelo processo criativo.
“CANDIDATASSO” AO RPG NACIONAL DO ANO!

Sem exagero.
Melted Lands se posiciona fácil como um dos projetos mais promissores do cenário nacional, e os motivos estão aqui:
- Qualidade do material: tudo é pensado com cuidado, consistência e propósito.
- Visão criativa: não tenta copiar, cria algo próprio, com identidade forte.
- Semiótica bem aplicada: tudo no jogo “conversa”: sistema, arte e narrativa transmitem a mesma ideia, o mesmo sentimento. Nada está ali por acaso.
- Sistema sólido: equilibrando tensão, interpretação e ação de forma orgânica.
- História rica e instigante: cheia de camadas, mistério e espaço para exploração.
E talvez o mais importante: é um RPG brasileiro que não pede licença. Ele chega com confiança, com ambição e com uma proposta de marcar seu espaço.
Por trás disso tudo, existe uma base criativa extremamente sólida. A Anatopia nasce da união de Marcelo Casé, Ivan Farias, Daniel Campos e Rodrigo Tiraboschi , nomes que carregam anos de experiência acumulada entre criação, testes e reconstrução de sistemas.
São mais de 30 anos dedicados a entender o que faz um RPG realmente funcionar, não só mecanicamente, mas emocionalmente. Isso sem contar que os caras jogam RPG há 26 anos! Sim, eles são uma party de 26 ANOS DE JOGATINA (inveja).
Criar universos próprios que resgatem aquela sensação clássica dos grandes jogos, onde sobreviver nunca foi só vencer combate. É lidar com o desconhecido, sustentar vínculos quando tudo está ruindo, atravessar tensões políticas, tomar decisões difíceis e, mesmo em meio ao colapso, encontrar espaço para algo que ainda possa ser chamado de heroísmo.
A Anatopia não quer apenas participar do cenário, quer liderar. E, sinceramente? Com Melted Lands… eles estão no caminho certo.
E essa jornada rumo ao Nevoeiro será apresentada a todos nós no final do segundo semestre de 2026, com o lançamento do financiamento coletivo.
Mas, se você está ansioso como eu, fica ligado no site da Anatopia e no Instagram oficial.
SPOILER: EU VOU MESTRAR MELTED LANDS NO MESAQUEST PELO WORLDCRAFT
MAS, ENQUANTO ISSO, ESTOU POR LÁ MESTRANDO CTHULHU
Então já faz a tua conta lá no MesaQuest pra ficar ligado nas novidades!
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